terça-feira, 29 de maio de 2012

Parceria poética - Jussan e Alex Pereira


Música Nacional por @alexpereiraa
Como de costume brasileiro adora exaltar tudo aquilo que não é criado ou produzido no Brasil. A maneira como os gringos pensam, se vestem e se relacionam com a música chamam muito mais a atenção do que as rodas de samba, bandas inovadoras ou grandes artistas solos do território nacional.
Pode-se dizer (ou não), que a grande culpa do esquecimento do ritmo da “Pátria amada, Idolatrada” seja a grande facilidade que os jovens hoje tem de se relacionar com outras culturas e horizontes sem ao mesmo sair de casa, com a internet, ou como fruto de uma globalização intensa vivenciada hoje. Globalização a qual não existem limites paras as diferentes culturas, porém as culturas americanas e europeias são exaltadas.
A falta de conhecimento ou a falta de interesse com a música brasileira pode ser outro fator pra não evidenciar a indústria fonográfica tupiniquim. Indústria que nunca foi formada apenas de Elis Regina, Gilberto Gil, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Taiguara, Edu Lobo ou muitos outros frutos da MPB ou Bossa Nova. Pagode, Samba, Sertanejo, Forró não são os únicos a descrever a música brasileira. Brasil já viveu uma grande era do rock nacional com  muitos artistas e bandas que ainda são engrandecidos pela grande massa ainda em dias modernos como os Paralamas do Sucesso, Barrão Vermelho, Legião Urbana, Biquíni Cavadão, Sepultura, e muitos outros das décadas de 80, 90 e os atuais dos anos 2000 que representam com grande sucesso a música nacional.
Em meados de 2011 e 2012 muitos artistas nacionais vem se destacando com álbuns inovadores e cheios da cultura e tropicalismo brasileiro. A maneira empreendedora de fabricar música hoje chama a atenção dos ouvidos mais atentos. Muitos artistas ainda com produções independentes ou com auxilio de grandes gravadoras não podem ser esquecidos. Foi a época que as músicas com o mesmo estilo faziam parte do cenário fonográfico, hoje há bandas e estilos diferenciados para cada gosto e vem agradando desde dos mais conservadores até os mais modernos.
A Rolling Stone Brasil, cita artistas como Felipe Cordeiro, Gaby Amarantos e Roberta Sá como grandes promessas em álbuns para 2012. Ou ainda quem nunca ouviu falar pela internet a fora de artistas que prometem marcarem presença nas paradas nacionais como Cícero, Tiago Iorc, Silva, Marcelo Jeneci, Thaís Gulin, Banda Uó e muitos outros que Musioteca [http://www.amusicoteca.com.br/] nos apresentam diariamente.
Portanto, material nacional e diversificado não faltam nesse Brasil, cabe os brasileiros aprenderem a ouvir a música nacional, que não fica atrás de nenhuma produção internacional. Basta separar algum espaço na lista de reprodução para artistas nacionais, que são muitos e ótimos. Dê valor o que o Brasil tem de rico.
Poesia cantada
Jussan Silva e Silva 
Ela assobiava.
O som percorria todo o casarão.
Acordava bem cedinho com a música dela.
Era tão bom e sereno, como um carinho sem fim.
Mas...
Eu cresci e ela envelheceu.
O som acabou e ela se foi.
Estranho é que de vez em quando
Ouço um assobio longe, bem longe.
Vó, é você?
Assobia de novo, vó. 

sábado, 26 de maio de 2012

Parceria poética - Jussan e Gabriella Ferraz


“Sem título”
Gabriella Ferraz

Mas você é tão distante.
- Hum.
- E quando você escreve... É tão profunda.
- Hum.
- Usa experiências passadas pra se basear ou tudo sai da imaginação?
- Eu não preciso vivenciar pra escrever, o meu ar são as letras e os meus sonhos, as páginas. Mas os sonhos mudam, a vida muda. Aprende a diferença entre mudança e falecimento. Sonhos mudam, mas não morrem.


Coisa estranha
Jussan Silva e Silva

Repousa sob mim uma descrença sem fim.
Minha nuca é gelo só.
Tenho ódio eterno quando estou assim.

Se mulher tem menopausa, hoje tenho medo de pausa.
Até a morte faz o favor de se movimentar pra mim.
É uma tristeza rasa e um medo sem graça.
Eita raiva escalafobética de mim.

Até a poesia é curta.
Curta como deve ser.
Se a letra insiste em soar pequena,
o desejo que a precede já é imenso e trágico.

domingo, 20 de maio de 2012

O mito da caverna - parte 2


Continuando. Essa semana estive pensando sobre o que escrevi na semana passada sobre o “Mito da Caverna” de Platão. Pensei muito, aliás, sobre várias particularidades da vida e só tive uma conclusão: é bom demais estar vivo! Digo isso, pois quando temos em nós, um potencial criativo e pensante, não perdemos de vista as oportunidades que essa coisa chamada rotina nos dá.

Sendo assim, se conseguirmos interpretar os sinais que a vida nos oferece, sem dúvida, estaremos mais fiéis ao sentido de Humanidade. Pois bem, disse no texto passado, que o homem sonhou tanto com a liberdade que hoje, não sabe o que fazer com ela. Isso é um sério problema social, mas, sobretudo, de cunho pessoal, pois talvez não estejamos lidando de forma consciente com as nossas realidades. Explico: muitos possuem uma metodologia de vida um tanto que equivocada, pois vivem de forma ilusória, ou seja, criam inúmeras fantasias para se proteger da fantasmagórica vida real, e por medo, usam inúmeras máscaras, para infindas ocasiões.

Criam falsas personalidades, mentem sobre sua condição de vida e aguardam que um cavaleiro montado no cavalo branco chegue para salvá-los. Se esse cavalo for de Napoleão Bonaparte, melhor ainda, pois se cria uma atmosfera heroica e surreal. Achei a palavra: as pessoas desejam uma vida heroica. Mas senhores caiam na real, essa vida não existe. Aí você deve estar pensando: mas como gostamos tanto dessas histórias de resgate, de emoção e sensacionalismo. Pois é, meus caros, infelizmente todos nós padecemos da mesma dor: temos fome de sentido. Por isso a emoção.

Não há outra saída. Ou buscamos ter uma vida real, almejando a interpretação de nossos pensamentos, ou estaremos fadados ao fracasso. Precisamos articular vontades e sonhos de forma a nos autoconhecer. Só assim que conseguiremos cultivar dentro de nossa alma, os melhores sentimentos. Quem possui uma educação para a sensibilidade, pode ser chamado de um ser humano feliz.

Atrevo-me a dizer que para termos esse o equilíbrio, precisamos entrar e sair da caverna quantas vezes for necessário. Se para a busca do sorriso da alma, for preciso sofrer longas noites em claro; precisamos encarar a vida como ela é: de poeira para poeira.


A folga

O vento que passou trouxe uma notícia.
A notícia soprou em meus ouvidos
e me deixou em calafrios.
Desceu pelo pescoço e foi até a espinha.
Eita!

Logo depois o telefone tocou.
A porta bateu e o pássaro saiu da janela.
Alô!

Ninguém respondeu.
Fui pra cozinha, lavei os pratos, alguém me chama:
Já vou!

Abro a porta, ninguém.
Que saco!
Já falei que domingo não é dia de manter contato. 

sábado, 12 de maio de 2012

O mito da caverna - parte 1

Vamos pensar. Com o processo de globalização e os avanços das novas tecnologias da informação, percebemos que a noção de mundo tornou-se plástica, ou seja, os conceitos deterministas dão lugar ao sentido difuso de Humanidade. Em outras palavras, sentimos que estamos mais próximos uns dos outros.

Tal ideia real e totalmente poética deveria envolver todas as ciências, no sentido de promover maior interação entre os fatos sociais e os organismos institucionalizados com seus formalismos e códigos ornamentados de burocratização e ineficácia. Como estamos num mundo em tese mais interligado; podemos admitir então, por exemplo; que uma sentença injusta pode ser sentida por toda sociedade ou que a queimada de uma floresta vai gerar impactos para todo o planeta.

Aliás, por que não dizer que essa atmosfera do desenvolvimento sustentável foi criada pelo sistema capitalista? Atrevo-me a dizer que essa “onda verde” não se trata de uma nova forma de consumo responsável, mas sim pela única saída que o sistema usou para continuar vivo, de outra maneira, mas ativo. Com a falta de material bruto natural e das inúmeras crises do mundo financeiro; o sistema diz: “Já que precisamos ser responsáveis; que pelo menos possamos retirar algum lucro!”. Exemplo disso é a mercado do “carbon free” e dos incentivos fiscais dados às empresas que em tese protegem a natureza, mas que na prática, não produzem o acompanhamento e a fiscalização de seus projetos. Muito menos o Estado que constitucionalmente detém dessa competência de proteção e controle. 

Em meio a tanta irregularidade ética, nos parece que só há uma saída eficaz: voltarmos á caverna. Muitos vão se recordar da história/parábola do Mito da Caverna narrada pelo filósofo grego Platão em sua obra "A República". Em suma, a caverna simboliza o nosso espaço de ignorância que nos impede de pensar e alcançar a liberdade; materializada pelos feixes de luz que dão a projeção na parede de uma sombra, ou seja, o que nosso eu interior realmente desejaria ser. É claro que faço aqui uma análise bem pessoal. É inevitável.

Portanto, se o homem desejou tanto receber sabedoria e ciência, concluímos que diante da conjuntura social desequilibrada, principalmente das instituições, esse mesmo ser humano não soube aplicar tão bem o que  buscou. Seria então, necessário que retirasse de si toda prepotência, toda  racionalização das coisas para tentar desenvolver em si os valores, ditos pelo sistema que nos rege; de ultrapassados. Semana que vem conversamos mais sobre isso.
A lista

Adoro fazer compras no supermercado.
Fico horas perguntando para o tomate
se ele está bom ou não.
Triste é ter que esperar
a batata responder.

Não faço compras de bobagens
ou de coisas coloridinhas.
Minha compra é farta,
mas básica como a cesta do governo.

Foi assim que aprendi a comer:
o grosso em primeiro lugar
e depois a gelatina.
Mas a geleia de mocotó
 sempre vai.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A economia do cuidado

Moema (1866), de Victor Meirelles
Diante dos avanços tecnológicos e dos efeitos do processo de globalização, a Humanidade reconheceu o desafio de procurar o desenvolvimento econômico através dos conceitos de sustentabilidade e ao mesmo tempo promover o progresso do capital em virtude das pressões do mercado, que são encaradas como naturais, se observadas às razões de ser do sistema capitalista.  
Em função disso, o Direito como ciência integrativa demonstrou durante muitos anos, certa lentidão no acompanhamento de tais impactos sociais, o que a meu ver, é representado pela inércia social em função da descrença diante dos órgãos tradicionais. A efetivação das leis tema de discussão  durante os séculos, nunca teve uma repercussão entre os institutos de forma tão coerente. Se antes o capitalismo era entendido como a ferramenta pela busca da ordem e a democracia o ordenamento mais apropriado para lidar com os múltiplos direitos e deveres que envolvem os seres humanos, percebe-se que já há um debate refinado em relação à eficácia da democracia.
Os conceitos de justiça foram ampliados para um patamar mais real. Afinal, o que é justo? Tal elemento cada vez mais subjetivo, segundo Amartya Sen, não deve ser tratado como a construção de uma sociedade perfeita, mas pela visão global da realidade. Dessa forma, o Estado teria um poder mais responsável, controlador, mas respeitando os interesses privados sem deixar de reconhecer os direitos humanos como molde dos modelos econômicos. Tal visão mais social do Direito, de caráter puramente Humanizador, não implica numa mudança radical do sistema econômico, mas numa adequação aos movimentos sociais.
Dessa forma, faz-se necessário que a discussão diante da eficácia das normas tenha maior alargamento para que a compreensão de direitos difusos possa ser ampliada. A proteção da Família Humana deve ser o cerne da postura do Estado que diante dos desafios da contemporaneidade, está tendo dificuldade de domar a Economia. Em razão disso, como desafio, os estudantes de Direito de nossa Era tem a responsabilidade ética de promover uma educação jurídica integral e sofisticada para que tenhamos legisladores mais competentes, humanos e que sejam capazes de codificar os sinais que a sociedade vem apresentando. Diante de tal impulso, a pauta da nova discussão deve ter como referência a educação da sensibilidade. Talvez essa seja nossa maior dificuldade. 



Apetrechos
Tenho coceira de gente morta.
Quando vejo passo longe e até desvio do caminho.
Aprendi desce cedo que gente que é gente, faz acontecer.
Acontecer pra quê? Pra movimentar.
Movimentar o quê? O mundo.
Que mundo? O meu, uai.
Odeio gente que pergunta demais.
Sinal que nada faz.

Só vive carregando sonhos e projetos pra realizar.
Mas nunca põe a mão na massa pra valer.
Gente assim faz até barulho quando passa perto de mim.
Parece um chaveiro cheio de coisinhas.
Que não serve pra nada. 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Em ano centenário, Muqui (ES) receberá 1º Festival de Cinema‏


Jovens de Muqui (ES) promoverão Festival de Cinema Independente
Depois de quase dois anos de planejamento e produção, Jussan Silva e Silva (22) e Léo Alves (20), ambos integrantes do Grupo Cultural ETC, coletivo de jovens realizadores do sul do Espírito Santo, lançam as bases para a criação e produção do FECIM, Festival de Cinema Independente de Muqui. A proposta, nesta primeira edição, é homenagear a cidade de Muqui, que comemora 100 anos de emancipação política em 2012.
O FECIM tem o objetivo de expandir o diálogo cinematográfico capixaba promovendo a discussão, o fomento, a valorização e a exibição de obras audiovisuais de artistas e núcleos independentes do Estado do Espírito Santo. O Grupo Cultural ETC já possui ações culturais e artísticas consolidadas e bem sucedidas no Estado. O mais recente trabalho do grupo foi o documentário “O Palhaço Menino – histórias de quem, desde pequeno, sonha e vive as Folias de Reis”, gravado no ES, MG e até a Europa e exibido no Canal Futura em abril.
     Para o realizador Jussan Silva e Silva a ideia do festival é antiga, mas só agora foi desengavetada. “Produzir um festival em Muqui sempre foi um sonho pra gente. Muqui tem um cenário histórico muito bonito e já foi palco de muitas realizações audiovisuais. É a chegada a hora de usar toda esta riqueza num evento marcante e emblemático, envolvendo as escolas e promovendo um intercâmbio entre os jovens de norte a sul do Estado”.
        Para o produtor Léo Alves, o grande trunfo deste projeto é a homenagem ao centenário da cidade e a criação de um projeto constante de valorização do cinema no sul do Estado. “A intenção é criar um novo pólo e um evento que se consolidasse. O projeto do FECIM é ambicioso, mas nesta primeira edição será um teste, um micro-festival que pretende crescer e se transformar num importante mecanismo de incentivo ao turismo cultural na região, envolvendo as Fazendas e as casas de cama e café além da riqueza natural existentes”.
      Ainda segundo Léo e Jussan, o FECIM é um convite para mesclar diferentes linguagens artísticas. O projeto pretende a criação de eventos paralelos com música, oficinas e fotografia, roda de leituras, atividades infantis, moda, teatro, cortejos, bate-papos, chuva de poesia, etc. “Estamos a todo o momento importando idéias de cidades que já possuem festivais de cinema e se utilizam de uma linguagem inovadora. A proposta é criar mais um mecanismo de valorização do cinema independente capixaba, em sua maioria feita por jovens”, resume Léo Alves. 
        Muqui fica à 175 km de Vitória e possui muitas riquezas históricas e culturais. É marcada por festejos que envolvem o Boi Pintadinho e as Folias de Reis, tendo sido considerada a cidade sede do maior e mais antigo encontro Nacional de Folias de Reis do Brasil.
          Segundo Jussan, o Festival também tem o interesse em fazer a cidade evoluir. “O FECIM é a primeira grande iniciativa surgida por jovens no intuito de tirar da gaveta produções independentes realizadas no Espírito Santo, dando visibilidade para uma cidade que, em pleno centenário de emancipação política, ainda parece emperrada em práticas conservadoras e não condizentes com a realidade global. A proposta do Festival é quebrar os muros invisíveis e aparentes que impedem que a cidade evolua utilizando formas híbridas, mutantes e tecnológicas do cenário atual”, destaca Silva.
         O FECIM, que está previsto para ocorrer no segundo semestre de 2012, está em fase de busca parcerias e apoios, tanto de instituições e organizações públicas e privadas, quanto de profissionais da área da comunicação e do cinema. A intenção dos organizadores do evento é formar e manter um grupo de pessoas verdadeiramente interessadas na propagação e valorização do cinema capixaba.
        Para quem tem interesse em participar do projeto, mesmo que de forma voluntária,há o contato:  grupoculturaletc@gmail.com . 

sábado, 21 de abril de 2012

Galáxias de Comunicação



As transformações sociais são inevitáveis. São responsáveis por uma relação estreita que existe entre o sujeito, o meio em que vive e as influências internas e externas. É como se a sociedade fosse uma grande plataforma boiando num mar sem fim, que balança à medida que as pessoas atuam nesse meio. Com o processo de globalização, nada mudou tanto, do que os  mecanismos de comunicação.
Se antes os pombos correios levavam a informação tardiamente, hoje os dados são armazenados diretamente pela tecnologia nas nuvens. Diante de tantas mudanças, seria extremamente ponderável que o sistema de educação estivesse conectado com tal realidade, oferecendo uma nova proposta de ensino através da liberdade responsável da informação.
As redes sociais estão nessa conjuntura oferecendo a todo o momento qualquer tipo de conteúdo, cabendo ao usuário ter um olhar clínico e seletivo para promover uma leitura realmente crítica. Diante de tal desafio, verifica-se apesar de tanta produção tecnológica, uma redução da produção intelectual principalmente nos cursos tradicionais. Mesmo enxergando inúmeros investimentos nesse setor, existe uma lenta caminhada para a tal sonhada integração do conhecimento.
Em visita à Argentina no ano de 2011, tive uma grata surpresa ao ser convidado junto com alguns colegas a conversar com alunos de graduação do curso de Língua Portuguesa. Fiquei espantado ao saber que os argentinos estão cumprindo os acordos do Mercosul, mesmo que de forma também lenta, iniciando uma reaproximação da educação. Com isso, visualizando as inúmeras redes de integração que o processo de globalização nos revelou é possível entender que a Humanidade está cada vez mais comunicativa.
Porém, é preciso reconhecer as peculiaridades dessa nova forma de conhecimento e principalmente a dificuldade de construirmos, mesmo com tanta tecnologia, um país mais crítico. Numa sociedade em rede, onde todos se encontram interligados, o desafio mais atual é reconhecer o limite dos interesses individuais nessa mistura cultural. Aliás, não seria essa integração mais um artifício liberal de cunho econômico? Vamos pensar.   

Estranheza
Peguei a maça e comi até o talo.
Futuquei com o dedo toda a matéria doce e translúcida
 que tremeluzia pra mim.
Comi e me regalei de espanto:
Meu Deus! De quê é feito isso? 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A poesia das redes sociais


Há mais de 10 anos atrás, não existia muitos computadores na minha cidade e as informações mais interessantes viam carregadas pelo som do auto falante. A  infância entre os amigos sempre foi muito parecida; escola, igreja, praça, casa dos amigos e cozinha. As mesmas referências. 
Nunca liguei pra ter celular e mesmo vendo a maioria dos meus amigos com um na mão, nunca os invejei. Mas depois que o tempo passa, acabei acreditando que esse processo de comunicação seria algo inevitável. Tanto que minha amiga Maria Letícia, foi quem me inscreveu no Orkut; e ainda me perguntava se era seu amigo de verdade.

- Eu estudo com você Let, te vejo todos os dias, é minha vizinha. É claro que sou seu amigo. Dizia

.Mesmo assim, correndo pelo furor da tecnologia ela criou minha primeira rede social. Interessante foi ver várias pessoas me chamando de “popular” pelas ruas porque tinha muitos amigos no Orkut. Mas depois eu abandonei. Era complicado demais entender tanta novidade tendo que conversar com pessoas que estão na rua da frente. Até porque o quarto onde ficava meu computador esquentava demais. Odeio sentir calor.
Gostava mesmo era de conversar com amigos de longe pelo MSN onde geralmente se dava pela noite com papos mais interessantes, sempre regados a sucos de acerola que colhia no pé atrás de minha casa. Era uma conexão mais criativa. Mas também logo deixei isso de lado.
Minha vida mudou quando entrei no Facebook. Sempre fiel ao espaço é lá que uma extensão de mim se coloca e compartilha frases, curte momentos e comenta as mais badaladas sensações. Mas nada supera a instantaneidade do Twitter que on line multiplica frases de curta duração. Acredito que seja essa uma revolução do pensamento entre os seus usuários mais criativos; àqueles que aproveitam de tal oportunidade para espalhar coisas boas e positivas por aí.
E como não podia deixar de ser; as imagens acabaram tendo um espaço de destaque nessa vibe tecnológica e foi com o Instagram que tudo mudou. Aguçamos a sensibilidade para reconhecer os sinais divertidos da vida e além de tudo construímos um modo diferente de perceber os fatos rotineiros. Descascar uma cebola numa foi tão poético.



Delete
Vivíamos on line

Na efervescência da madrugada

Com papos longos e noites quentes.

O tempo que cada um precisasse

Era desculpa pra tomar um ar

E tentar recuperar o fôlego.
Tudo era bom.

O papo, o som, a imagem.

Só uma rua nos separava
E mesmo nos desejando;
Nunca nos vimos
Foi melhor assim.



sexta-feira, 6 de abril de 2012

O poder da rotina



A subjetividade nunca esteve tão em voga nos últimos anos, talvez pela sua complexidade ou pela literal conexão com a vida humana. Ora, somos feitos só disso. Mas infelizmente, desde o pós Iluminismo que a sociedade vem tentando encontrar um eixo de discussão sobre as dificuldades dos conceitos e temas que nos envolvem. Nesse sentido, valores se inverteram e muitos discursos soaram de forma estranha.

Adélia Prado, grande escritora brasileira, vêm retratar em seus livros poéticos essa dificuldade humana e consegue através de um pensamento voltado para a valorização do cotidiano, o debate que muitos esperavam. Acredito que o dia a dia e as realidades que o envolvem seja de tamanha complexidade que poucos queiram desbravar alguns questionamentos, ora pela inércia social provocada pelo sistema de educação, ora seja pelo desamino que temos em nos questionarmos.

A nossa sociedade está dotada de elementos transversais que estão mudando e transformando a rotina. O tempo, a linguagem, as relações e os sentimentos estão cada vez mais confusos e para gerar uma possível ordem, alguns institutos sociais tratam essa realidade com certa lentidão. Não fomos preparados para humanizar os conceitos e por isso nossa mente tenha certa dificuldade de processar tanta informação. Porém, diante de tanta novidade, destaco aqui, a importância do que fazemos diariamente como sendo a ferramenta para encontrarmos os avanços internos e externos que precisamos. Explico.

Acredito que esteja nos elementos mais naturais o segredo de tudo que buscamos. O ser humano tem sede de sentido, é por isso que as descobertas nos parecem dar algum tipo de alívio interno. Entretanto, penso que é na admiração da beleza rotineira de nossas ações, que se encontram a perenidade que tanto almejamos, pois na verdade, qualquer tipo de contemplação da vida, requer um posicionamento mais sensível diante do mundo. Quem não possui tal característica, deveria cultivá-la.

Quando somos jovens, talvez não damos muito valor a um prato de comida feito com carinho pela avó, pela missa celebrada no Natal, ou pela fila do banco ou do supermercado. Mas quando começamos a administrar a vida com um olhar mais poético de tudo isso, compreendemos que fazemos parte de um sistema complexo e daí nos posicionamos no mundo de maneira diferenciada.Toda vez que passamos pela mesma rua todos os dias nem temos vontade de dizer uma palavra educada à pessoa que está a nossa frente. Mas quando esse indivíduo morre, percebemos sua falta não pelo que represente, e daí concluímos que àquele porteiro, cabeleireiro, mendigo, professor, gari, atendente ou pipoqueiro, recebeu um perfil social de sentido que em vida não tinha.

A compreensão do dia a dia ainda é tida como algo menor, mas se pensarmos bem é a única coisa material que possuímos. Andar, pegar o metrô, entrar no elevador, sentar-se à mesa de trabalho, atender ao telefone, comer, ir ao banheiro, estudar, escrever, ler, namorar, pegar o ônibus, ir pra casa, ver TV, tomar banho e dormir pode parecer cansativo demais pra quem não possui sensibilidade o suficiente para compreender o poder da rotina. Porém, geralmente só enfrentamos essa discussão quando perdemos ou estamos perto de perder tudo isso.


O doce
Quando estudava no Grupo e batia a hora do recreio;
Ficava no pátio, meio sozinho.
Não tinha condições de comprar nada na cantina.
Mas não ligava pra isso, pois minha mãe fazia os lanches pra mim.
Certa vez levei pra sala um doce de abóbora, que sempre preferi.

Ao sair para o corredor, minha professora; Tia Branca quis provar e adorou.
O doce ficou tão famoso que poucos iam à cantina.
Depois, conclui que minha mãe tinha um perfil empreendedor que nem sabia.
Quase uma economista.
Espertinha.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Sociedade em rede: os dilemas da contemporaneidade


Vivemos numa Era diferente. Percebe? Muitas vezes, nem nos damos conta dos avanços que lidamos todos os dias. Com certeza, você já ouviu ou disse que "o tempo está voando" ou que "antigamente se vivia mais". Pois é caro leitor, o mundo mudou muito e com ele alguns conceitos também sofreram alterações expressivas, por conta de um processo de aceleração da vida social chamado de globalização. Este movimento vivo gera influência em todos os ramos do saber e consequentemente a criação espontânea (ou não) de novas relações cada vez mais entrelaçadas e multifuncionais. 
Com a transição da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento, um verdadeiro choque cultural se deu ao longo dos tempos para gerar uma ruptura de paradigmas que emperravam a vida social, em suma, podemos dizer que os conceitos econômicos pautaram essa transformação influenciada, é claro, pela maximização de capital. Porém, mesmo gerando efeitos negativos nas relações humanas onde muitas vezes tornavam-se plásticas e frágeis, por outro lado, a sociedade passou a reconhecer o seu potencial com a compreensão da Família Humana. Com isso, conceitos como soberania, liberdade, democracia e justiça tornaram-se cada vez mais líquidos como assume Zigmunt Bauman; e com todo processo de informatização do saber, passamos para uma nova realidade; a sociedade de redes. 
O conceito abordado por Manuel Castells traz a ideia de que as relações estão moldadas pelas novas tecnologias de informação e por conta disso, há uma reestruturação dos movimentos sociais tradicionais e sobretudo, um choque paradigmático com a plataforma de trabalho. Há nesse nova sociedade em rede, uma uniformização das transações comerciais trazendo à baila, a nova proposta de uma economia global. Esse pensamento, no meu entendimento, é ariscado apesar de extremamente vantajoso para o desenvolvimento dos países. Tal progresso só será possível se tratarmos aqui de uma articulação atualizada de desenvolvimento econômico pautado na sustentabilidade consciente; que necessariamente deveria estar atrelado à ideia de educação sistemática integral, um desafio da nossa era. 
A sociedade em rede traduz a nova realidade humana de interação, conectividade e descentralização do poder. No Direito, por exemplo, tal novidade ainda é vista com certa precaução em virtude do sistema positivista e da difícil tese de segurança jurídica. Do ponto de vista intercultural, há muitos avanços positivos, sobretudo na chamada economia do cuidado, onde os direitos humanos tornam-se cada vez mais atrelados ao conceito de valor. Há no campo filosófico, uma nova compreensão do significado do eu é discutida, devido ao mercado do consumo e das relações virtuais. Mas é no campo do conhecimento em que a globalização finca suas raízes, pois é na informação que se basila o poder. Infelizmente, não fomos treinados para entender o processo de humanização dos conceitos e talvez tal discussão possa soar um tanto que obscura, mas precisamos pautar uma nova postura social frente às transformações que nos envolvem, para que a partir de um pensamento sistêmico possamos, como intelectuais, gerar um efeito de qualidade na nova sociedade humana.

Santa rotina 

Todo domingo era a mesma coisa: 
missa, passeio na praça, picolé 
maionese com frango e família sentada
no banco da rua até a hora do terço. 
Existia em mim um desejo profundo de viver 
sempre mais os domingos. 
Sabia que eles durariam pouco. 
Quanta saudade! 

Ainda vejo as crianças correndo pelo beco 
e o carrinho do Zé gritando "é picolé de uva" 
e as risadas celestiais da Tia Santa. 

Cresci. 
A missa, a praça, o picolé, a maionese de frango 
Tudo se foi. 
Que saudade do domingo. 
Bem que me avisaram que domingo passa rápido. 
E passa. 

PR Newswire